Surge uma chama
Os caminhos da vida são curiosos. E as motivações que tornam os sonhos realidade surgem, na maioria das vezes, inesperadamente. Foi assim, numa circunstância dolorosa pela condição de um filho diagnosticado com o câncer, que Dr. Roberto Sá Menezes, empresário de sucesso no estado, conheceu a Dra. Nubia Mendonça, oncologista pediátrica, referência nacional nesta especialidade.
No decorrer deste contato, conversas sobre a situação, à época, das crianças e adolescentes em suspeita ou acometidas pela doença na Bahia e fortaleceu-se uma ideia inovadora: construir uma casa exclusivamente para abrigar esses pacientes, tornando o tratamento mais efetivo e evitando evasões e interrupções, permitindo assim que a cura se realizasse dentro de um plano previsto.
Estabeleceu-se então um divisor de águas, marcando uma nova fase na realização do sonho de combater o câncer infantojuvenil no estado. Com poucos recursos financeiros no início, porém muita dedicação e solidariedade de pessoas que prontamente se conectaram à ideia, foi criado, em 05/01/1988, o Grupo de Apoio à Criança com Câncer – Bahia, conhecido nacionalmente pela sigla GACC-BA. A adesão voluntária seguiu crescendo além do imaginado conforme a notícia se espalhava.
A experiência em administração de Dr. Roberto Sá Menezes conferiu ordenação ao processo de aquisição da primeira sede do GACC-BA, localizada na Travessa Padre Miguelinho, com a colaboração das Voluntárias Sociais da Bahia e da Associação dos Magistrados da Bahia (AMAB). A casa era simples, com dois pisos, porém bem estruturada, possuindo quatro quartos, um banheiro e cozinha. A montagem da casa foi feita também com o espírito da doação e muito trabalho voluntário, quando foram realizadas as reformas e adquiridos o mobiliário necessário.
Pesquisando o que havia de semelhante no Brasil e no mundo, o crescimento do trabalho foi se organizando para atender cada vez melhor a demanda crescente de pacientes que procuravam o GACC-BA, e logo se fez necessário uma sede mais ampla, que veio em 1993 através de uma doação anônima. Esta nova sede, localizada no Tororó, era uma casa maior, com oito quartos e cinco banheiros (capacidade de abrigar 25 famílias), cercada por ampla área destinada à recreação. Possuía ainda uma cozinha semi-industrial, e escritórios para funcionamento do Serviço Social e da Gerência de Hotelaria, e um almoxarifado. A primeira sede, contudo, continuava funcionando, agora composta da Secretaria Geral, Gerência Administrativa-Financeira e da Coordenação do Programa Voluntariado.
A partir daí, o GACC-BA continuou a agregar serviços aos seus pacientes, como por exemplo, a implantação do gabinete odontológico. Havia a consciência de que aquelas não eram, ainda, as condições ideais para oferecer ao paciente e ao seu acompanhante e atender a demanda crescente, contudo, a maior parte dos requisitos necessários para a estada do paciente na capital, ao longo do tratamento, estava ocorrendo de maneira satisfatória. As dificuldades emergenciais, como a falta de determinado mantimento ou materiais diversos, eram supridas por doações da sociedade.